Mantega: ex-presidente da Casa da Moeda
foi indicado pelo PTB
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou ontem (3) ter
mantido Luiz Felipe Denucci na presidência da Casa da Moeda após
tomar conhecimento de irregularidades no órgão. Mantega resolveu
falar sobre o assunto para esclarecer pontos que, segundo ele,
foram divulgados de forma equivocada.
Além de dizer que não sabia de problemas na Casa da Moeda,
Mantega negou conhecer Denucci antes de ele assumir a direção do
órgão. De acordo com o ministro, em 2008, quando houve mudança
na presidência do órgão, o PTB fez indicações, mas os primeiros
nomes não foram aceitos. Posteriormente, o partido apresentou o
nome de Denucci, acrescentou Mantega.
“Aceitei a indicação feita pelo líder do PTB [na Câmara dos
Deputados], Jovair de Oliveira Arantes, na ocasião. Não conhecia
essa pessoa [Luiz Felipe Denucci]. Recebi o curriculum. Ele
tinha um curriculum adequado para a missão e as funções na Casa
da Moeda”, lembrou o ministro.
Mantega informou também que Denucci recebeu a missão de
modernizar a Casa da Moeda, com troca de maquinários e produção
de cédulas que não “ficassem sujeitas a fraudes”. Segundo o
ministro, quando a missão começou a ser cumprida, o partido
resolveu trocar seu indicado. “O próprio Jovair Arantes
manifestou desejo de trocar o indicado, porque Denucci não
estaria atendendo satisfatoriamente as expectativas deles
[integrantes do partido]”. Ainda de acordo com o ministro, o
líder do partido, porém, foi informado de que não seria possível
fazer a troca, com a modernização que vinha sendo implementada
no órgão.
O ministro lembrou que, em 2010, surgiu a primeira matéria na
imprensa trazendo “à tona” um problema ocorrido em 2001 com
Denucci. A notícia dizia que Denucci havia trazido recursos do
exterior e depositado em sua conta como se fosse um empréstimo.
A Receita Federal e Polícia Federal atuaram no caso e um
processo administrativo foi instaurado, mas, recentemente,
segundo Mantega, a multa foi reduzida. “Isso, porém, não tinha
interferência com a função que ele desempenhava e, portanto, não
se justificava uma mudança por causa disso.”
Depois disso, o líder do PTB tentou mais uma vez trocar o
presidente da Casa da Moeda e fez acusações que, segundo
Mantega, não tinham fundamento, nem foram comprovadas. Ele disse
ter recomendado ao parlamentar que fizesse uma acusação formal,
que entrasse na Justiça, porque, assim, as denúncias poderiam
ser investigadas. De acordo com o ministro, quando há acusação
formal, é criada uma comissão de sindicância.
Posteriormente, houve nova denúncia, de possíveis
irregularidades na compra de máquinas para a Casa da Moeda. A
comissão de sindicância criada informou, então, que nenhum tipo
de problema foi encontrado. Quanto às atuais denúncias, Mantega
defendeu que sejam apresentadas formalmente. “Elas têm que ser
formalizadas e feitas de forma adequada. Precisam ser
investigadas. Tanto que, quando houve o problema em 2001 com
Denucci, foi investigado pela Polícia Federal e pela Receita
Federal.”
As notícias sobre irregularidades na Casa da Moeda foram
publicadas nesta semana após a demissão de Denucci. Reportagem
do jornal Folha de S.Paulo, publicada terça-feira (30), diz que
Denucci é suspeito de ter transferido US$ 25 milhões para duas
empresas no exterior registradas em nome dele e da filha.
Segundo o texto, o dinheiro veio de fornecedores da Casa da
Moeda, vinculada ao Ministério da Fazenda, que, além de produzir
moedas e cédulas, confecciona documentos oficiais e presta
serviços a outros países.
O Ministério da Fazenda instaurou comissão de sindicância para
investigar as suspeitas de irregularidade na administração do
órgão. "O Ministério Público também está no caso. Quando Denucci
foi admitido, tinha credibilidade, não havia nenhuma suspeita.
Havia uma operação sendo investigada, e era a uma questão
administrativa. Não era óbice para ele ser contratado”, concluiu
Mantega. |
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