Por Dr. Hamilton Júnior
O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação e interação social, associadas a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. O diagnóstico de autismo não determina, por si só, a capacidade intelectual, a linguagem ou o potencial de desenvolvimento de uma pessoa.
O DSM-5 utiliza três níveis de suporte:
O nível 1 de suporte – O paciente pode apresentar dificuldades para iniciar ou manter interações sociais,mmm, compreender determinadas situações sociais, como sarcasmo, metáforas e literalidade e se adaptar a mudanças na sua rotina.
Também podem apresentar comportamentos repetitivos ou interesses muito específicos, porém com menor impacto na autonomia.
O nível 2 suporte – Nesse nível, o paciente já apresenta dificuldades de comunicação, podendo ser verbal ou não verbal, as interações sociais podem ser mais prejudicadas e interferem significativamente na vida escolar, familiar e social.
As mudanças de rotina podem provocar sofrimento no paciente, pois o comportamento do mesmo está mais ligado a rituais diários, o que acaba acarretando em desregulação emocional ou comportamentos repetitivos mais intensos.
O nível 3 de suporte – O paciente apresenta importante prejuízo na comunicação, assim como na interação social, podendo existir pouca ou nenhuma linguagem funcional. Comportamentos repetitivos, rigidez e dificuldade intensa diante de mudanças podem comprometer significativamente o funcionamento diário levando a importante diminuição da autonomia em casos mais extremos, tornando o paciente completamente dependente de apoio contínuo do seu cuidados.
É importante compreender que os níveis de suporte não são uma classificação fixa ou uma medida de “gravidade” da pessoa.
As necessidades podem variar conforme a idade, o ambiente, as demandas sociais e as habilidades desenvolvidas ao longo do tempo. Uma mesma pessoa pode necessitar de diferentes níveis de apoio em diferentes situações. Além disso, condições associadas, como deficiência intelectual, alterações de linguagem, TDAH e epilepsia, podem influenciar o funcionamento global.
A definição do nível de suporte deve ser realizada por avaliação clínica individualizada e multidisciplinar. O objetivo dessa classificação é orientar as necessidades de intervenção e não limitar as possibilidades de desenvolvimento. Com diagnóstico adequado, intervenção baseada em evidências e suporte familiar e educacional, é possível favorecer a comunicação, a autonomia e a qualidade de vida.
Dr. Hamilton Júnior é especialista em Pediatria e Neurologia Pediátrica