Petista foi às ruas após o primeiro turno para convocar militância; Duque de Caxias e Nova Iguaçu concentraram os maiores avanços do presidente na região
A mobilização nas ruas e a disputa voto a voto foram decisivas para a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na avaliação de Marcelo Freixo. Um dos principais articuladores da campanha petista no Rio de Janeiro, Freixo, que se elegeu deputado federal pela segunda vez com mais de 170 mil votos, foi às ruas ainda na noite de 4 de outubro, logo após o primeiro turno, para convocar a militância a intensificar a campanha pela reeleição do presidente.
Na Baixada Fluminense, o esforço de mobilização se refletiu no crescimento da votação de Lula nos 13 municípios da região. O presidente recebeu 176.983 votos a mais no segundo turno, um aumento de 23,3% em relação à primeira votação. O avanço ocorreu inclusive em cidades onde Flávio Bolsonaro (PL) manteve a maioria dos votos, como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo e São João de Meriti.
Duque de Caxias e Nova Iguaçu registraram os maiores crescimentos absolutos da votação de Lula, com 44.705 e 39.095 votos adicionais, respectivamente. Em São João de Meriti, o presidente ampliou sua votação em quase 23 mil votos. Apesar do avanço petista, Flávio Bolsonaro venceu nos 13 municípios da Baixada, evidenciando o tamanho do desafio enfrentado pela campanha de Lula no estado.
“Depois do primeiro turno, a gente sabia que precisava intensificar a mobilização. Na noite de 4 de outubro, fomos para a rua chamar a militância, conversar com as pessoas e mostrar que o Brasil tinha muito a perder se o projeto de Lula não continuasse. A vitória foi construída com muita luta, com gente que não desistiu e que entendeu a importância de defender a democracia”, afirma Freixo.
Para o petista, o crescimento da votação na Baixada demonstra a importância de uma região que concentra milhões de moradores, trabalhadores e eleitores e que enfrenta desafios históricos em áreas como transporte, saneamento, saúde, segurança pública e geração de emprego.
“A Baixada Fluminense foi fundamental nessa disputa. É uma região de trabalhadores, de gente que acorda cedo, enfrenta horas de transporte e luta todos os dias para melhorar de vida. Cada voto conquistado aqui teve importância para o resultado nacional. A população precisa ter acesso a oportunidades, serviços públicos de qualidade e políticas que enfrentem as desigualdades históricas da região”, diz Freixo.
A campanha também foi marcada pelo debate sobre segurança pública e pelas críticas de Freixo à atuação política do bolsonarismo. Um dos episódios que ganhou repercussão foi a denúncia envolvendo o assassinato da pequena Ana Clara, em Niterói, e a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa judicial do policial acusado pelo crime.
Freixo levou o caso ao debate público para questionar as posições do senador sobre segurança e responsabilidade política. Para ele, a discussão sobre o tema precisa ir além dos discursos eleitorais e colocar a proteção da população no centro das decisões.
“Segurança pública não pode ser apenas um discurso de campanha. Estamos falando de vidas, de famílias que perderam seus filhos e que têm direito a respostas. O combate ao crime precisa ser feito com responsabilidade, inteligência e respeito à lei. Não podemos aceitar que a dor de uma família seja tratada como algo menor diante de interesses políticos”, afirma.
Freixo avalia que o resultado eleitoral abre espaço para ampliar os investimentos federais na Baixada e fortalecer políticas de desenvolvimento regional. O desafio, segundo ele, é transformar o apoio conquistado nas urnas em melhorias concretas para a população, com geração de renda, infraestrutura e serviços públicos.
“A vitória do Lula precisa significar mais emprego, mais renda e mais dignidade para quem vive na Baixada. Não basta ganhar a eleição: é preciso fazer o resultado chegar à vida das pessoas. A região tem uma população enorme, uma força de trabalho extraordinária e precisa estar no centro de um projeto de desenvolvimento para o Rio de Janeiro”, conclui Freixo.