Juninho do Pneu troca de partido, perde espaço e expõe crise política em Nova Iguaçu

Deputado afirma ter sido surpreendido por reação de aliados após filiação ao PSDB e fala em “sobrevivência política”

A filiação do deputado federal Juninho do Pneu ao PSDB, após deixar o União Brasil no último dia 3 de abril, desencadeou uma crise política em Nova Iguaçu. Uma semana após a mudança, aliados do parlamentar foram exonerados do governo municipal, especialmente na Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (CODENI), ampliando o desgaste com o grupo que comanda a cidade há quase uma década.

O episódio levanta dúvidas sobre a continuidade da aliança política. Juninho construiu sua trajetória ao lado do ex-prefeito Rogerio Lisboa e do atual prefeito Dudu Reina. Ao longo dos últimos anos, ocupou posições centrais no grupo, como a presidência da Câmara Municipal e a candidatura a vice-prefeito na chapa de Lisboa.

Em entrevista exclusiva ao ZM Notícias, o deputado afirma ter sido surpreendido pela reação e diz que a troca de partido foi uma decisão estratégica diante do novo cenário eleitoral.

Deputado, o que motivou sua saída do União Brasil e a filiação ao PSDB neste momento específico?

O PSDB é um dos maiores partidos do nosso país e tem algumas marcas importantes como a criação do plano real, a estabilidade econômica e a responsabilidade fiscal. São marcas que eu sempre defendi na minha trajetória política. Sempre tive um posicionamento político de Centro e com esta mudança mantenho as minhas convicções. O União Brasil, que se uniu ao PP para criar a Federação União Progressista, diminuiu as chances de diversos parlamentares com um menor número de votos de se reelegerem, assim eu e outros deputados federais ficamos sem opção a não ser de procurar outra legenda. Saio do União Brasil de cabeça erguida, deixando muitos amigos por lá. Deixo claro que não houve brigas e nem traição, tudo foi conversado e a minha saída foi por sobrevivência política.

Houve convite formal da direção tucana ou a decisão partiu exclusivamente do senhor?

Como sou um deputado federal em segundo mandato e por ter tido mais de 70 mil votos na última eleição, fui procurado não só pelo PSDB, mas por diversos outros partidos, tendo em vista a minha boa relação com diversos parlamentares de outras siglas partidárias e por transitar muito bem em Brasília. Pesou bastante na minha escolha a conversa com o presidente nacional Aécio Neves e por ter um grande amigo na direção estadual do partido no Rio de Janeiro que é o deputado federal Luciano Vieira. Um cara de caráter, palavra e que tem se dedicado na reconstrução desse partido no nosso estado.

Como o senhor avalia a reação do grupo político que comanda Nova Iguaçu à sua saída?

Primeiro eu me senti muito surpreso por ter sido retirado deste grupo político. Grupo que faço parte desde o primeiro mandato de prefeito do Rogerio Lisboa. Fui presidente da Câmara e junto com prefeito Rogerio tiramos a cidade daquele caos financeiro, folhas de pagamentos em atraso, fornecedores sem pagamentos, etc. Vim candidato a deputado federal também a pedido do grupo e para ajudar a cidade de Nova Iguaçu. Logo após fui convidado a fazer parte da chapa como vice-prefeito do Rogerio na sua reeleição. E agora em 2024, aceitei mais uma vez a decisão do grupo em apoiar a candidatura do atual prefeito Dudu Reina. E na realidade com todo esse histórico, ainda não entendi muito bem o porquê disso ter acontecido comigo.

A perda de espaços no governo municipal, especialmente na CODENI, foi uma retaliação política?

Acredito que sim, pois não existe outro motivo para o ocorrido. Tendo em vista que a CODENI vinha desempenhando muito bem seu papel na cidade, tanto na ponta, executando os serviços de rua, como na gestão administrativa que conseguiu colocar suas contas em dia. Além disso, sanar praticamente todos os processos trabalhistas que a companhia tinha há muitos anos.

Juninho do Pneu: “Não quero que nenhuma briga política atrapalhe a minha cidade

Sua relação com Rogerio Lisboa foi construída ao longo de quase uma década. Essa parceria chegou ao fim?

Como respondi anteriormente, ainda não consegui entender o motivo desse rompimento com o grupo que entrei através do prefeito Rogerio Lisboa. Espero ainda ter uma conversa franca com o ex-prefeito.

Como fica sua posição em relação ao prefeito Dudu Reina, que o senhor apoiou desde o início?

O Dudu é um cara que eu apoiei para prefeito, com quem tenho uma boa relação e com quem, desde o início do mandato, vinha tendo uma boa parceria. Não quero que nenhuma briga política atrapalhe a minha cidade, onde eu moro e crio as minhas filhas.

Existe possibilidade de recomposição política com o grupo ou a ruptura é definitiva?

Nesse momento não quero chamar de ruptura, quero entender os fatos para depois tomar qualquer tipo de atitude.

Nos bastidores, fala-se que o grupo rompeu com o senhor por conta de um possível apoio do PSDB a Eduardo Paes ao governo do estado. O senhor acha que isso pesou na decisão?

Essa é a narrativa que está circulando nas ruas, porém o PSDB ainda não se posicionou em relação a nenhum pré-candidato ao governo do estado do Rio. Quando realizei a conversa com o PSDB deixei claro que pertencia a um grupo político que teria um possível candidato na chapa ao governo do estado e que não poderia ir contra o grupo. Assim eles me garantiram que eu teria a liberdade para decidir.

Como o senhor vê a pré-candidatura de Douglas Ruas que tem como vice, Rogerio Lisboa?

O Douglas é um cara muito sério e capacitado, que sempre me atendeu super bem quando foi Secretário de Estado das Cidades e tem sua base eleitoral em São Gonçalo. Rogerio tem um bom histórico com a Baixada Fluminense. Considero uma boa chapa.

O presidente estadual do PSDB, Luciano Vieira, saiu em sua defesa. Que tipo de espaço o senhor espera ocupar dentro do partido?

Confio muito no trabalho do presidente estadual Luciano e, em nenhum momento, pautei esse tipo de conversa. Apenas quero somar e dar a minha contribuição na reconstrução do PSDB no Estado do Rio de Janeiro.

Sua ida para o PSDB antecipa uma reconfiguração política maior na Baixada Fluminense?

Acredito que não só na Baixada Fluminense. O PSDB, na última eleição, não elegeu nenhum deputado federal. Nesta janela partidária, mais cinco deputados de mandato se filiaram comigo. A nominata para as eleições de 2026 está bem montada, com nomes competitivos, e nossa estimativa é eleger de seis a sete deputados federais, o que pode trazer uma nova configuração política para o estado do Rio de Janeiro.

Por Michelle Almeida

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *