Maurício Knoploch, diretor de Planejamento e Projetos do IRM, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) também teve prisão preventiva decretada e é considerado foragido
O presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, foi preso na manhã desta quinta-feira (9) durante uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos no órgão.
A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ), que denunciou 11 pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações e lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital fluminense, em São Gonçalo e em Teresópolis. A operação contou com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), do Ministério da Justiça, e da Corregedoria da Polícia Civil.
Segundo a denúncia apresentada à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, os investigados utilizaram contratos firmados pelo Instituto Rio Metrópole entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos públicos. O esquema teria movimentado R$ 86,28 milhões.
De acordo com o Ministério Público, valores pagos a duas empresas contratadas pelo IRM eram posteriormente transferidos para a Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), apontada como uma entidade sem estrutura operacional compatível com os serviços contratados. Ainda segundo a investigação, o dinheiro era sacado em espécie após passar pela entidade.
O MPRJ afirma que Davi Perini Vermelho liderava o núcleo de agentes públicos envolvidos no esquema. Conforme a denúncia, ele autorizava contratações, firmava contratos e exercia controle sobre os pagamentos realizados pelo instituto.
Além de Didê, foram presos:
- Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil, apontado como ordenador de despesas e responsável pelo controle do grupo RioForte, empresa que realizava a escolta armada dos valores sacados em espécie;
- Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado e então chefe da Procuradoria-Geral do IRM, acusado de emitir pareceres jurídicos que teriam dado respaldo às contratações e ao reajuste considerado irregular de contrato;
- Caroline Soares Barros, que exercia simultaneamente as funções de fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO, apontado como entidade utilizada para movimentação dos recursos;
- Amanda Íthala Santos da Paschoa, cunhada do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que teria sucedido Caroline na fiscalização dos contratos e atestado a execução dos serviços, autorizando os pagamentos.
Também teve a prisão preventiva decretada Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação. Segundo o Ministério Público, ele atuava no direcionamento das licitações em favor das empresas contratadas. Pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), Maurício é considerado foragido.
Em relação aos demais denunciados, a Justiça determinou medidas cautelares alternativas à prisão, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar o país.
São eles: Leilson de Souza Nepomuceno; Gerson Luís de Araújo Rodrigues; Hélio Augusto Machado Pessôa; Roberto Accioly Peotta; e Roberto Peotta.
Segundo a denúncia, os cinco atuavam como particulares dando suporte ao funcionamento da organização criminosa. Hélio Augusto Machado Pessôa e Gerson Luís de Araújo Rodrigues representariam a empresa Engeconsult, enquanto Roberto Accioly Peotta e Roberto Peotta estariam ligados à empresa R. Peotta, ambas contratadas pelo IRM e responsáveis, segundo o MPRJ, pelo repasse dos recursos públicos ao Instituto BIO. Já Leilson de Souza Nepomuceno seria o responsável pela RioForte, empresa encarregada da escolta armada do dinheiro sacado em espécie.
Com informações do MPRJ