Por Nelson Freitas
No dia 5 de novembro, quando celebramos a Cultura, a Ciência e o Cinema, uma pergunta me acompanha já há algum tempo: o que é cultura?
Para muitos, cultura ainda é quase sinônimo de entretenimento. Mas, a meu ver, sua dimensão é muito maior.
Eu penso a cultura como a expressão máxima do que somos e a construção do que podemos ser. É o que nos constitui como indivíduos e sociedade, fundamento da formação humana e cidadã e a força que impulsiona nossos próprios caminhos de emancipação política e de desenvolvimento.
Cultura é memória. E memória não é passado adormecido. É presença viva, que precisa ser ativada, compartilhada e reinventada. Afinal, como projetar um futuro grandioso sem ter como referência a grandeza de nossa própria história? Para mim, o passado é indissociável de tudo o que ainda podemos, precisamos e queremos ser e realizar.
A arte? Pra mim, é a vigorosa expressão da capacidade humana de reinventar a vida. Como escreveu o grande poeta Ferreira Gullar, “O ser humano inventou a arte porque a vida não basta”. A arte não precisa oferecer respostas prontas. O que precisamos e queremos da arte é que abra janelas, desperte sensibilidades e amplie nosso olhar, para alcançarmos o que está além da realidade que nos é apresentada como pronta e imaginarmos novas vidas e novos mundos.
Se a realidade é dura, fria e trágica, não precisamos aceitá-la como destino. Fazemos da arte a magia para melhor compreender, questionar e transformar o mundo em que vivemos.
Trabalho para que a cultura não seja tratada pelos governos como artigo de luxo ou privilégio, distante da vida do trabalhador. Trabalho para que a cultura seja direito: de pertencer, construir vínculos com a comunidade, exercer a cidadania e a própria liberdade. É pelo acesso aos bens e serviços culturais que criamos condições para reconhecer de onde viemos, compreender quem somos e imaginar aonde queremos e podemos chegar.
Celebrar a cultura é celebrar a capacidade humana de criar novos sentidos para a vida e fazer do mundo um lugar melhor para se viver. Porque transformar, mais do que necessário, é possível.
Nelson Freitas é músico, compositor e produtor cultural