Um dos mais importantes eventos culturais da Baixada Fluminense, com mais de 100 espetáculos e 25 mil espectadores desde 2012, o Festival Cenáculo de Teatro chega a sua décima edição repetindo o formato que o consagrou: uma grande maratona com dez apresentações em um único final de semana, nos dias 23 e 24 de maio, das 10h às 19h, no Teatro Firjan-Sesi, em Duque de Caxias. A iniciativa é do Instituto Cultural Cerne em parceria com Instituto João Cândido.
“Chegar à décima edição de um festival independente na Baixada é, por si só, um ato de resistência cultural. O Cenáculo se consolidou como um espaço de encontro entre artistas, público e novas gerações do teatro fluminense, democratizando o acesso à arte e fortalecendo a produção local. Celebrar esses dez anos com entrada gratuita, acessibilidade e uma programação tão diversa reforça o compromisso do festival com a formação de plateia e com a valorização do teatro como ferramenta de transformação social”, disse Leandro Fazolla, um dos idealizadores do festival.
O evento apresentará espetáculos de diferentes gêneros teatrais e de diferentes cidades do estado com entrada gratuita e ações de acessibilidade como intérpretes de LIBRAS e audiodescrição em todas as sessões. Por ser uma mostra competitiva, o festival inova com a formação de três categorias de júri: técnico, composto por Leandro Santanna, Dani Fontan e Marcia Zanelatto; estudantil, formado por alunos da Escola Popular de Teatro da Baixada; e um júri popular, em que as peças são analisadas a partir de notas atribuídas pelo próprio público do evento.
Serão concedidas premiações em categorias como Espetáculo, Ator, Atriz, Cenografia e Figurino, entre vários outros. Haverá ainda um corpo de cinco críticos profissionais que escreverão sobre os espetáculos apresentados.
SERVIÇO:
9º FESTIVAL CENÁCULO DE TEATRO
DATAS: 23 e 24 de maio
LOCAL: Teatro FIRJAN-SESI Duque de Caxias – Rua Artur Neiva, 100 – 25 de Agosto – Duque de Caxias – RJ
PROGRAMAÇÃO:
SÁBADO, 23 DE MAIO
10h – O Patinho Feio
11h30 – Cálculo ilógico
14h – 2 homens e 1 dinheiro
15h30 – Quantos filhos Natalina teve?
17h – Suaíle – Um Mito Contemporâneo
18h20 – Abrigo
Domingo
10h – À Vinhad’alhos
13h – Raspadinhas
14h30 – Travessias – Nordeste x Baixada
16h20 – O Espigão
SINOPSES DOS ESPETÁCULOS
O PATINHO FEIO (Infantil – Livre – 50min)
O espetáculo “O PATINHO FEIO” é uma livre adaptação teatral em forma de cordel do conto homônimo de Hans Christian Andersen. Situada no sertão e com uma proposta diferente de abordagem do conto, a peça atualiza a dicotomia entre feio e bonito, trazendo a reflexão sobre as diferenças, a diversidade, o processo de entendimento, aceitação e acolhimento do outro. Na encenação, uma trupe mambembe de brincantes conta de maneira peculiar a história de um patinho que não se encaixa nos padrões vigentes do lugar, e por isso é rejeitado pelos demais personagens.
CÁLCULO ILÓGICO (Drama – 12 anos – 50min)
“Cálculo Ilógico” tem como base uma dor verdadeira que somada à ficção produziu uma poesia cênica. O espetáculo tem como objetivo mostrar toda inquietação que nos cerca quando nos deparamos com o fim. Em cena, a personagem Ella analisa a probabilidade dos acontecimentos e busca razão nos números para explicar um cálculo chamado VIDA.
2 HOMENS E 1 DINHEIRO (Comédia / Palhaçaria – 12 anos – 50min)
2 Homens e 1 Dinheiro é um espetáculo cômico passado em um ponto de ônibus onde dois palhaços completamente diferentes se encontram. Enquanto esperam, os dois acabam se conhecendo e surgem diversos passatempos, jogos e brincadeiras, até que um acidente catastrófico acontece e os dois têm que disputar o único dinheiro restante para pagar o transporte.
QUANTOS FILHOS NATALINA TEVE? (Drama – 14 anos – 50min)
“Quantos filhos Natalina teve?”, inspirado no conto de Conceição Evaristo, é um espetáculo da viCiados Dramaturgos que entrelaça literatura e cena. A narrativa acompanha Natalina em suas passagens como menina, mulher e mãe, revelando dores, memórias e resistências. O elenco se alterna em diferentes personagens, utilizando signos simples para dar corpo às figuras criadas pela autora e convidar o público a completar a cena com sua imaginação. A montagem preserva integralmente a palavra de Conceição e evidencia a força de suas escrevivências, que transformam corpo e maternidade em territórios de discurso, poesia e luta.
SUAÍLE – UM MITO CONTEMPORÂNEO (Drama – 16 anos – 40 min)
Em uma cidade inteiramente branca, o nascimento de uma menina vermelha rompe o silêncio e expõe as violências escondidas sob a superfície da pureza. Ao descobrir a verdade sobre seu passado, Suaíle atravessa a história silenciada de sua mãe, Kika — apagada por costumes e convenções — e resgata sua própria voz, junto com a de tantas mulheres aprisionadas em suas “cidades brancas”.
ABRIGO (Infantil – Livre – 50 min)
No subúrbio de uma metrópole brasileira, Niinho vê a sua vida e a de sua família mudarem: recebem uma carta que os obrigava a deixar a sua casa para a construção de uma linha do metrô. Sem rumo, vagando pela cidade à procura de abrigo, tentam reconstruir seus sonhos a partir dos escombros.
À VINHAD’ALHOS (Comédia – 14 anos – 90 min)
“À vinhad’alhos” é um espetáculo que conta a história de três irmãos que após um longo período separados precisam voltar à casa em que cresceram e foram criados para prestar a última homenagem para a mãe, que acabou de falecer, e resolver questões burocráticas de uma casa que não possui documentação. O reencontro desencadeia uma série de conflitos, que aos poucos vai revelando os segredos e as marcas de uma família tipicamente suburbana.
RASPADINHAS (Comédia – 12 anos – 60 min)
Durante os anos 2000, o Brasil vivia o espírito de “País do Futuro”, com nota de 10 reais comemorativa, “Roda da Fortuna”, “Planeta Xuxa”, “Mister M” e os gritos de “Playstation!” no “Bom Dia e Cia”. Numa cidade do interior, um menino vê a família inspirada com a possibilidade de mudar de vida com os jogos de azar; do bingo ao jogo do bicho. Quando ele encontra a Raspadinha da Sorte com o prêmio mais alto, ele alvoroça todo seu círculo social com a esperança de que eles tenham, finalmente, tirado a sorte grande. Este monólogo de comédia aborda como a cultura do “Malandro X Mané” impacta a sociedade brasileira. A peça acompanha com humor a vontade de se dar bem na vida, ou o jeitinho brasileiro, e a relação do país com os jogos de azar, desde o jogo do bicho – ilegal, porém muito popular – até culminar na atual epidemia das Bets.
TRAVESSIAS – NORDESTE X BAIXADA (12 anos – 75 min)
Travessias – Nordeste X Baixada costura histórias que começam em solos nordestinos e que se conectam ao cruzarem o país por diferentes meios: de ônibus a esconderijos em navios. E por diversas motivações, com suas sabenças, memórias e afetos, ancoram na Baixada Fluminense, onde juntas tecem presente, passado e futuro.
O ESPIGÃO (Drama – 16 anos – 55 min)
Durante a adolescência, um irmão e uma irmã se apaixonam pela mesma pessoa. A história é um divisor de águas na família, mas a conversa só acontece na vida adulta… e diante do público. Entre confissão e invenção, o acontecimento é revisitado para preencher lacunas e curar feridas, dando um novo sentido a tudo que viveram. Essa autoficção familiar aborda a descoberta da sexualidade homoafetiva na adolescência e reflete sobre questões de gênero e sexualidade.

