Eleições na ABL estão marcadas para o dia 12 de novembro no Palácio Petit Trianon
A Academia Brasileira de Letras se prepara para mais um processo eleitoral, após o falecimento do imortal Zuenir Ventura. E a Baixada Fluminense terá entre os postulantes à vaga Alcimário Júnior, nome que vem se consolidando tanto nos corredores das escolas públicas de Nova Iguaçu quanto nas estantes das grandes feiras literárias do país.
Sua postulação à vaga é a expressão de uma trajetória que rompe com o estereótipo distante das ruas e propõe uma nova forma de pensar a literatura brasileira: que se escreve com os pés no chão da escola, com os olhos nas crianças e com o coração nas urgências do nosso tempo.
Do serviço público à literatura
Funcionário público efetivo do município de Nova Iguaçu, Alcimário Júnior construiu sua carreira na rede de ensino. Foi lotado na Escola Municipal Irene da Silva Oliveira, em Vila de Cava, e conviveu de perto com crianças em situação de vulnerabilidade social. Nesse território — marcado por desafios, mas também por uma imensa potência cultural — que sua literatura encontrou sua razão de ser.
Dessa vivência nasceu sua obra “A Formiguinha Arteirinha em Combate à Negligência Infantil e ao Abuso Sexual”, livro que aborda, com sensibilidade e coragem, dois dos mais graves problemas que atingem a infância brasileira. A obra transformou a personagem Formiguinha Arteirinha em símbolo de uma literatura que não teme os temas difíceis e que se coloca a serviço da defesa dos direitos da criança e do adolescente.
Alcimário lançou, também, a coleção “As aventuras de Lion o cachorro levado” pela Editora Literese, o E-book “Atitude Empreendedora” e participação em Antologias como a da Academia Brasíleira de Letras sucursal de Campos dos Goytacazes em sua coletânea de romances de 2024.
“Poesias Modernas” e a consagração nos grandes eventos
Se a literatura infantil revelou sua veia protetora, foi com “Poesias Modernas”, lançada este ano, que Alcimário Júnior firmou seu nome entre os poetas contemporâneos. A obra, que transita entre o lírico e o reflexivo, foi lançada em alguns dos mais importantes eventos literários do país.
O livro foi apresentado na Bienal Internacional do Livro de São Paulo pela editora Sonho Editorial, num dos maiores encontros literários da América Latina. Também marcou presença na Feira Literária de Nova Iguaçu (FLIN) e no Festival Literário de Resende (FLIR), no Festival de Inverno de Campos do Jordão, dentre outros eventos que valorizam a produção cultural em especial da Baixada Fluminense e nos quais Alcimário Júnior tem sido uma voz ativa como Secretário Geral do Conselho Municipal de Política Cultural.
Além disso, o autor tem levado sua poesia a escolas públicas, promovendo saraus, encontros e oficinas de escrita criativa.
Uma trajetória de excelência e compromisso
Alcimário Júnior foi o primeiro colocado do Enem quando o exame foi lançado, em 2004, a tirar a nota máxima na redação, feito que o levou a ser convidado para a propaganda institucional do exame entre os anos de 2008 e 2010. É graduado em Relações Internacionais pela PUC-Rio e em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, atualmente, é membro indicado pela Secretaria de Assistência Social de Nova Iguaçu (SEMAS) para o CMDCA — Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, onde coordena a Comissão de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Rancho de Benfica: memória e futuro
Alcimário Júnior reside hoje no Rancho de Benfica, um sítio em Tinguá, Nova Iguaçu. O território foi referência para o Rio de Janeiro na época do Império, servindo como local de acolhida dos tropeiros que subiam ou desciam de Petrópolis por Tinguá, na Estrada da Administração até o antigo Porto de Iguaçu, no comércio entre as colônias e territórios do reino. É, portanto, um território de resguardo da memória — e é lá que Alcimário Júnior pretende construir um museu, transformando sua propriedade em espaço de preservação e celebração da história da região.
Uma candidatura que oxigena a ABL
A Academia Brasileira de Letras, historicamente, tem sido o território de ficcionistas, juristas, jornalistas e ensaístas. A candidatura de Alcimário Júnior traz para o debate acadêmico a voz daqueles que constroem a literatura no cotidiano da educação pública, perto da vida real.
Sua trajetória revela um perfil que transita com rara naturalidade entre o erudito e o popular, entre a teoria e a prática, entre o Brasil que pensa e o Brasil que precisa. Ao lançar sua candidatura, Alcimário Júnior não pede apenas uma cadeira. Ele propõe uma reflexão sobre o papel da Academia no século XXI: uma instituição que, sem abrir mão de sua excelência, possa também reconhecer e celebrar a literatura que nasce da experiência, do serviço público e do compromisso com os mais vulneráveis.
A eleição para a Cadeira nº 32 está agendada para o dia 12 de novembro de 2026, no Palácio Petit Trianon, após o encerramento do prazo oficial de inscrições.