Direita bolsonarista mostra força em Nova  Iguaçu e PL já mira Prefeitura em 2028

A expressiva votação obtida pela direita bolsonarista em Nova Iguaçu nas eleições do último domingo (4) acendeu um sinal de alerta no cenário político municipal e pode mudar o papel do PL na disputa pela Prefeitura em 2028. Depois de atuar como coadjuvante em 2024, o partido já começa a desenhar uma estratégia para disputar o comando do município como protagonista. Nos bastidores, a possibilidade de uma chapa majoritariamente formada por nomes da legenda já é discutida.

Na última eleição municipal, o PL integrou o bloco de apoio à candidatura do prefeito Dudu Reina (PP). Como parte do acordo político, a vice-prefeita Dra. Roberta, irmã do deputado federal Dr. Luizinho (PP), filiou-se ao partido, que passou a integrar oficialmente a base do governo. Na prática, porém, a legenda acabou tendo pouco espaço no governo do sucessor de Rogerio Lisboa.

A relação entre os grupos políticos, até então, parecia caminhar bem. Um dos sinais dessa aproximação era a indicação do ex-prefeito Rogerio Lisboa (PP) para ser vice na chapa de Douglas Ruas (PL) na disputa pelo Governo do Estado.

O cenário mudou quando Eduardo Paes (PSD) passou a aparecer à frente nas pesquisas eleitorais. Diante da vantagem do ex-prefeito do Rio, o PP liberou seus candidatos e adotou uma postura de neutralidade em relação à disputa pelo Governo do Estado. Rogerio Lisboa acabou desistindo de integrar a chapa de Ruas e, logo em seguida, declarou apoio a Paes, levando seu grupo político para o palanque adversário.

O resultado das urnas, porém, mostrou que a influência desse apoio foi menor do que o esperado em Nova Iguaçu.

Mesmo contando com uma estrutura política considerada mais ampla na cidade, Eduardo Paes não conseguiu superar Douglas Ruas. O candidato do PL venceu com folga no município. Ruas conquistou 56,70% dos votos, enquanto o candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, chegou a quase 60% na cidade, reforçando a percepção de que Nova Iguaçu mantém forte identificação com o campo bolsonarista.

O resultado fortaleceu o PL e pode ser determinante para a estratégia do partido. A ideia, segundo informações de bastidores, é formar um bloco para disputar a Prefeitura em 2028, com preferência por uma composição formada exclusivamente por integrantes do Partido Liberal.

Entre os nomes que podem fazer parte desse projeto estão o Delegado Carlos Augusto, Felipe Tropa e Anderson Moraes, eleitos deputados estaduais pelo PL, além do vereador Igor Porto, que teve votação expressiva na disputa para deputado federal, embora não tenha conquistado uma cadeira. Os irmãos Dr. Flávio e Deodolato, que fizeram palanque para Ruas em Nova Iguaçu, também são apontados como possíveis integrantes do grupo.

Outro núcleo que deve ganhar peso nessa articulação é o dos irmãos Miranda. Eleitos pelo PL e importantes aliados de Douglas Ruas na Baixada Fluminense, Jorge Miranda, ex-prefeito de Mesquita, foi eleito deputado federal, enquanto Renato Miranda conquistou a reeleição para a Alerj.

Nos bastidores, inclusive, circula a possibilidade de Jorge Miranda assumir a Secretaria de Estado de Saúde caso Douglas Ruas seja eleito. A eventual nomeação ampliaria seu espaço político e daria ao grupo de Miranda ainda mais musculatura na Baixada. Atualmente, a pasta é comandada pelo deputado federal Dr. Luizinho (PP), seu declarado desafeto, cujo grupo político apoiou Eduardo Paes na eleição para governador.

Fora do PL, um nome que pode eventualmente se aproximar desse bloco é o deputado federal Juninho do Pneu (PSDB), reeleito com 64.440 votos. Jorge Miranda já teria iniciado conversas com o parlamentar sobre uma possível composição para 2028.

A aproximação teria também um componente político importante. Juninho do Pneu, que até abril fazia parte da base de apoio do prefeito Dudu Reina, foi afastado do grupo político por Rogerio Lisboa.

Se as articulações avançarem, o PL poderá montar um grupo politicamente forte para a próxima eleição municipal.

O que parecia ser apenas uma eleição estadual terminou, em Nova Iguaçu, abrindo a primeira grande disputa pelo poder em 2028. E o PL, desta vez, parece não estar disposto a assistir ao jogo do banco de reservas.

Por Michelle Almeida

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