Sinais do autismo em crianças: o que os pais precisam saber

Por Dr. Hamilton Júnior

O transtorno do espectro autista (TEA) tem sido cada vez mais discutido entre famílias, escolas e profissionais de saúde. Apesar disso, muitos pais ainda têm dúvidas sobre quais sinais merecem atenção durante a infância, especialmente na fase pré-escolar, período em que a criança está desenvolvendo linguagem, interação social e formas de brincar. Reconhecer precocemente determinados comportamentos pode fazer grande diferença no desenvolvimento infantil.

Entre os sinais mais comuns do TEA estão as dificuldades de comunicação e interação social. Algumas crianças podem apresentar atraso na fala, usar poucas palavras para a idade ou até perder palavras que já utilizavam. É comum também que demonstrem pouco contato visual, não respondam ao ser chamadas pelo nome ou tenham dificuldade em participar de brincadeiras com outras crianças.

Outro aspecto que costuma chamar atenção é o comportamento repetitivo. Algumas crianças alinham brinquedos, repetem movimentos com frequência, desenvolvem interesse intenso por temas específicos ou ficam muito agitadas diante de pequenas mudanças na rotina. Alterações sensoriais também podem estar presentes, como hipersensibilidade a sons, texturas de roupas, determinados alimentos ou ambientes muito movimentados.

É importante destacar que nem toda criança tímida, seletiva para comer ou apegada à rotina tem autismo. O principal sinal de alerta é o conjunto dos comportamentos e o impacto que eles causam no desenvolvimento e na convivência social. Pais e professores costumam ser os primeiros a perceber quando há algo diferente no desenvolvimento da criança.

Vale também diferenciar birra de crise autista. Na birra, a criança geralmente busca alcançar um objetivo e observa a reação do adulto. Na crise autista, há uma sobrecarga emocional ou sensorial que faz com que a criança perca momentaneamente a capacidade de se autorregular. Não se trata de mau comportamento, mas de uma necessidade real de suporte.

Diante de qualquer dúvida sobre o desenvolvimento, o ideal é buscar avaliação profissional. Pediatras, neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais podem contribuir tanto no diagnóstico quanto na orientação da família.

O acompanhamento precoce favorece o desenvolvimento da comunicação, da autonomia e da socialização da criança.

Falar sobre autismo com informação e acolhimento ajuda a reduzir preconceitos e amplia as chances de identificação precoce.

Quanto antes os sinais forem reconhecidos, maiores serão os benefícios das intervenções e do suporte adequado para a criança e sua família.

Dr. Hamilton Júnior é especialista em Pediatria e Neurologia Pediátrica

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *