Secretário de Economia Solidária do Rio de Janeiro, o primeiro iguaçuano a ocupar uma secretaria na Prefeitura carioca, fala sobre sua trajetória, os desafios à frente da pasta e os projetos para ampliar trabalho, renda e oportunidades na cidade
Aos 42 anos, Thiago Pereira carrega uma trajetória que une a Baixada Fluminense e a cidade do Rio de Janeiro. Nascido no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, ele se tornou, em maio de 2026, o primeiro iguaçuano a assumir o comando de uma secretaria da Prefeitura do Rio de Janeiro. À frente da Secretaria Especial de Economia Solidária (SES-Rio), Thiago afirma ter uma meta ambiciosa, que é transformar o Rio de Janeiro na capital nacional da Economia Solidária.
“Nasci em Nova Iguaçu, mas construí uma relação muito forte com o Rio de Janeiro. Hoje tenho a oportunidade de trabalhar por uma cidade que tem um potencial enorme na Economia Solidária. Meu objetivo é fazer com que o Rio seja reconhecido nacionalmente como a capital da Economia Solidária”, afirma.
Entre as iniciativas que pretende tirar do papel está a articulação para transformar esse objetivo em uma política institucional. Um projeto de lei com essa finalidade já foi protocolado pelo deputado federal Juninho do Pneu neste ano. Segundo Thiago, a intenção é trabalhar para que a proposta avance ainda em 2026.

À frente da SES-Rio, Thiago afirma que pretende consolidar a Economia Solidária como uma política capaz de gerar oportunidades e movimentar a economia nos territórios. “Meu sonho é que a gente consiga olhar para a Economia Solidária como uma política de desenvolvimento da cidade. Estamos falando de trabalho, renda, inclusão produtiva, empreendedorismo, artesanato e, principalmente, de pessoas. Quero deixar uma secretaria mais forte, humanizada, com planejamento, recursos, participação social e projetos que continuem transformando a vida dos cariocas. Temos muitos desafios, mas também temos uma cidade com uma capacidade enorme de produzir, empreender e criar. Vamos trabalhar para conectar essas pessoas às oportunidades. E eu continuo com o objetivo de transformar o Rio de Janeiro na capital nacional da Economia Solidária.”
Formação e geração de renda
Uma das principais frentes da SES-Rio é a qualificação profissional. Por meio do Impacta Rio, a secretaria trabalha com a meta de formar 22 mil pessoas em 24 meses. Já o Rio Cidade Criativa tem como objetivo alcançar 10.800 formandos no mesmo período. A pasta recebeu ainda um aditivo que permitirá a ampliação dos núcleos dos projetos, levando os cursos para mais bairros e aumentando o número de cariocas atendidos.
“Estamos trabalhando com metas muito concretas. Queremos chegar a 22 mil formandos no Impacta Rio e 10.800 no Rio Cidade Criativa. Mais do que números, estamos falando de pessoas que terão uma nova oportunidade de entrar no mercado de trabalho, empreender ou melhorar a renda da própria família”, explica o secretário.
Outra medida destacada pelo secretário foi a reativação do Conselho Municipal de Economia Solidária. Em setembro, foram eleitos 20 conselheiros, sendo dez representantes do governo e dez da sociedade civil.
“Reativar o Conselho foi um passo muito importante. Queremos um conselho ativo, participativo e que tenha voz na construção das políticas públicas. A Economia Solidária precisa ser construída com quem vive essa realidade todos os dias”, afirma Thiago.
O secretário também busca a criação, por meio de decreto, do Fundo Municipal da Economia Solidária. A proposta é garantir recursos próprios para a área e ampliar a autonomia da secretaria na execução de políticas públicas.
“Ter um fundo significa dar mais estrutura e autonomia para a política de Economia Solidária. Queremos construir mecanismos permanentes para que as ações tenham continuidade e possam alcançar cada vez mais pessoas.”
Rio integrado à política nacional
No dia 16 de setembro, o Município do Rio de Janeiro aderiu ao Sistema Nacional de Economia Solidária (SINAES), por meio de Termo firmado pela Secretaria Especial de Economia Solidária.
A adesão integra o município à estrutura nacional de implementação da Política Nacional de Economia Solidária (PNES) e amplia as possibilidades de articulação entre a Prefeitura do Rio e o Governo Federal para o desenvolvimento de ações voltadas ao setor.
“Essa adesão fortalece o diálogo do Rio com o Governo Federal e nos permite ampliar a articulação para que a Economia Solidária seja tratada como uma política pública cada vez mais estruturada.”
Atualização do Plano Municipal
A secretaria também está articulando com o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) um acordo de cooperação técnica para a atualização do Plano Municipal de Economia Solidária. Depois dessa etapa, a intenção é realizar o chamamento público para a Conferência Municipal de Economia Solidária.

Para Thiago, o planejamento é fundamental para estabelecer os próximos passos da política municipal.
“Precisamos atualizar o nosso plano ouvindo quem está na ponta, os empreendedores, os trabalhadores, os movimentos e a sociedade civil. A conferência será um espaço importante para essa construção coletiva.”
CadSol Carioca já conta com 2 mil artesãos
Uma das iniciativas que já está em andamento é o CadSol Carioca, programa da Prefeitura do Rio vinculado à Secretaria Especial de Economia Solidária. Atualmente, cerca de 2 mil artesãos já estão cadastrados.
O programa busca ampliar oportunidades de trabalho e geração de renda, fortalecer o associativismo e o cooperativismo, incentivar a comercialização de produtos e serviços, promover capacitação e qualificação profissional e ampliar o acesso às políticas públicas de desenvolvimento econômico local.
A Carteira CadSol Carioca será concedida gratuitamente aos empreendedores regularmente cadastrados. O documento funcionará como instrumento oficial de identificação e poderá facilitar o acesso a benefícios oferecidos por instituições públicas e privadas parceiras, incluindo descontos, condições diferenciadas para aquisição de insumos, capacitações, feiras e eventos.
A entrega das primeiras carteiras está prevista para outubro.
“Quando cadastramos um artesão, não estamos apenas colocando um nome em uma base de dados. Estamos reconhecendo aquele trabalhador, dando visibilidade ao seu trabalho e criando possibilidades para que ele tenha acesso a políticas públicas, feiras, capacitações e novas oportunidades de comercialização”, concluiu.
Moeda social como projeto-piloto
Entre os projetos que Thiago pretende desenvolver está também a criação de uma moeda social em uma comunidade do Rio de Janeiro. A proposta é começar com um projeto-piloto e, posteriormente, avaliar sua ampliação para outras regiões da cidade.
“A moeda social pode fortalecer a economia dentro do próprio território. Queremos começar com um projeto-piloto, acompanhar os resultados e, se funcionar, ampliar essa experiência para outras comunidades.”
Rio-Niterói: integração pela Economia Solidária
Outra proposta em construção é a criação do Circuito Rio-Niterói de Economia Solidária. A ideia surgiu a partir da própria circulação de consumidores e empreendedores entre as duas cidades.
“O Rio já recebe um público muito grande de Niterói, e Niterói também tem suas iniciativas. Queremos transformar essa circulação em oportunidade. Estamos buscando construir um circuito que aproxime as duas cidades e, inclusive, estudando a possibilidade de uma gratuidade nas barcas para quem participar das atividades do circuito”, explica.
Festival Carioca e Centro Público
Em 2027, a SES-Rio pretende realizar o Festival Carioca de Economia Solidária, na Praça Mauá. A programação deverá reunir empreendedores, artesãos, produtores e iniciativas ligadas à Economia Solidária.
Thiago também afirma que pretende apoiar a iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego para que o Rio de Janeiro seja sede do Centro Público de Economia Solidária, equipamento que deverá atender municípios de todo o Estado.